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A Devil For Me. - Capítulo Mais um dia de trabalho. [+16] por sakymichaelis Ter 29 Out 2013 - 19:57



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  Liebe und Hass - Capítulo 01 - Parte II [+16]

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MensagemAutor
27062013
Mensagem Liebe und Hass - Capítulo 01 - Parte II [+16]

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Tema do Livro:
Crepúsculo

Gêneros:
Drama, Angst, Romance,

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Eu sempre me perguntei o porquê da existência daquela porcaria de animais chamadospássaros. Você sequer pode acordar um pouco mais tarde por conta daquele bando de animais piando nos seus ouvidos desde manhã cedo até o meio-dia. Isso jamais foi um conto de fadas, ou um filme cuja história é baseada em um, então não tinha por que aqueles benditos animais filhos da mãe piavam nos meus ouvidos logo cedo?
Agora pensem um pouco sobre o que vocês acham sobre estresse. Eu não estava, àquela altura, nem perto de ter um colapso nervoso, concordam? Só porque você vira até tarde da noite fazendo o seu trabalho, sua tia lhe interrompe uma centena de vezes para falar sobre coisas torpes e, no final, você acaba completando a sua noite com pensamentos sobre sua ex-namorada, a quem você ainda ama, isso não significa ***** nenhuma? Sim, eu estava pronto para um colapso nervoso! E eu o teria a qualquer momento… provavelmente com o primeiro que eu visse na minha frente.
Sim, àquele dia eu havia dormido apenas três horas e encarei isso como uma coisa não muito boa quando você acorda com o pipiar dos pássaros nos seus ouvidos às seis e cinquenta da manhã. Certamente, eu teria dormido mais tempo se não fossem os compromissos que me amarram até tarde da noite; entretanto, para aqueles que pensam que a vida de um monarca é repleta de rosas digo-lhes que estão muito enganados. Coloque-se no lugar que ocupo e, caramba, você há de valorizar o trabalho que faço, simplesmente porque isso vai muito além de ter o jogo de cintura de um governante comum – e certamente você não quererá mudar do seu trabalho entediante para o meu: ser herdeiro de um trono vai além de oferecer chás-das-quatro para seus amigos ou fazer eventos de caridade. Vá por mim; você não gostará.
Logicamente, a minha situação atual tem seus altos e baixos – mais baixos que altos, diga-se por sinal – e, talvez o que eu digo agora ofenda a outros monarcas e herdeiros, mas eles sabem tanto quanto eu lhes digo que isso é verdade: quando se é um principezinho filho-da-mãe, como meu irmão e eu, você tem o mundo aos seus pés, como se isso fosse verdadeiras maravilhas-maravilhosas (sejamos redundantes), ainda que você não tenha a atenção de seus pais, que fazem outras coisas que não planejar o chá-das-quatro. Isso é uma porcaria, mas é a realidade, só que você se sente bem porque érecompensado (utilizemos essa palavra maldita) pela fortuna que cai mensalmente em sua conta, sabendo que ainda que se gastem todos os cifrões ali presentes, haverá muito mais do lugar que aquele montante saiu. E outra: já que seus pais não estão ali com você, de olho em ti, outros olhos estarão ali lhe seguindo ferrenhamente; os paparazzi estão ali não apenas para fazer seus familiares conhecerem mais sobre ti, mas também para tornar a sua vida pública. Para essas horas, ser polido não adianta nada. É só sentar e esperar para ver o que aparecerá nas capas dos jornais ou pegar um martelo e correr atrás da câmera que registrou os seus momentos mais íntimos – o que não é nada bom para a imagem que você quer apresentar, dependendo da situação.
Ao contrário do meu irmão, entretanto, eu sempre busquei me manter em um campo mais neutro; não arranjava confusões e não saia com martelos em minha mão para quebrar câmeras como ele fazia em nossa adolescência. Buscava me enturmar e ia para as festas, mas não passava muito disso; eu fiz minha lição de casa sobre etiqueta, sim. Então, para ser a imagem boa dos Svensson Baumgartner, eu resolvi estudar encarando uma personagem que apenas minha família e amigos próximos (a isso encaixa somente Caius) conheciam: Gustave. Escondia-me por detestar a mídia e fui para Boston, onde estava protegido dos olhares das câmeras, mas não longe dos meus sentimentos, que hoje encaro como meus piores inimigos – mais até que os paparazzi.
Foi assim que conheci Isabella e os Swan.
Maldito foi o dia que vi aquela mulher pela primeira vez; mas, primeiramente, maldito foi o dia que conheci Rosalie Hale. Hoje encaro que esse foi o maior castigo que Deus (se existe um) pôde me dar, porque se eu não tivesse conhecido Rosalie, muito provavelmente eu não teria conhecido Isabella e hoje não ficaria martirizando-me, fazendo alguns dos meus empregados revirarem dia-e-noite nas bibliotecas fétidas de Liechtenstein atrás das leis previstas a favor de um casamento entre um nobre e uma plebeia.
Inferno…
Ou não…
Serei menos Almeida Garrett e pararei de comparar minha vida a um dos poemas dele. Caso você não saiba sobre qual obra falo, digo-lhe abertamente: Este inferno de amar.
Não descreverei muito sobre mim. Apenas digo-lhes que conheço um pouco sobre muitas coisas, inclusive uma gama de idiomas. Compreendo e falo com facilidade o Inglês, Francês, Italiano, Espanhol, Língua Portuguesa e, obviamente, o meu idioma materno, o Alemão, principalmente por conta dos meus preceptores e porque meus pais desejavam isso de nós; e com certa dificuldade, ainda que compreenda bem, o Russo e o Sueco, pois são as minhas descendências por parte de mãe, o que me tornou obrigado a saber nem que fosse o mínimo. E acredite: fiz isso por desejo meu também, por querer conhecer outras culturas e não por querer ser um Papa.
Deixando de enrolação, logicamente, eu tinha coisas a fazer no meu dia! Eu não era uma pessoa preguiçosa, ainda que fosse acordado precocemente, e sabia muito bem as atividades que eram da minha competência.
Levantei de minha cama naquele momento. Nunca tive o costume de espreguiçar-me porque falavam que esta era uma atitude incorreta, independentemente do local, então rejeitava tal ação e ia sempre para o banheiro, cuidar da minha higiene pessoal. Era o meu costume matutino, pois achava que jamais estava acordado o suficiente se não fizesse isso e creio que se não seguisse a regra, não continuaria meu dia com bom-humor (mas eu notara ainda que cultuando com meu hábito, eu estava com um mau humor que estava afastando todas as boas amizades de mim).
Aproveitei que estava cultuando tal rotina e aproveitei para fazer, também, a barba, como fazia todos os dias pela manhã; só houvera uma época que eu a havia deixado crescer um pouco, quando estudava em Boston, apenas sob o intuito de esconder-me, afinal eu não era o padrão estadunidense e facilmente chamaria atenção de quem eu não queria chamar.
Logo, escolhi roupas confortáveis para viajar. Não julgue que por ser um monarca eu me vista muito diferente de um plebeu no dia-a-dia; o que importa, o que dita a nossa qualidade – se você me entende – é a marca de roupa utilizada por nós – ou que eles usam, porque eu não fico perdendo tempo com essas nomenclaturas. Vesti-me com uma camisa social branca, uma calça social, cinto, um par de meias e sapatos igualmente pretos – ou seja, um sinal bem clássico dos armários masculinos.
Minha mala já estava pronta também e eu sabia que nela havia tudo o que eu necessitava naquela viagem simplesmente porque Helga, minha governanta, era a responsável por aprontá-la. Ela vivera em Londres durante um tempo, trabalhando para os Nelson, que a indicaram para trabalhar comigo em Liechtenstein após o falecimento dos meus pais, que há pouco haviam aposentado a governanta deles, uma senhora francesa já idosa que tornara a sua cidade natal, Nice, para ficar junto aos filhos. Não que Helga fosse muito nova: já beirava os cinquenta, mas não se casara e tampouco tivera filhos, então ela não considerava a aposentadoria alguma coisa muito vantajosa para si. E ela era bem organizada, sabendo o horário, inclusive, que eu costumava acordar para preparar meu café da manhã antes de eu começar meus afazeres diários.
Diariamente, quando descia as escadarias, por birra da minha tia e organização de Helga, deparava-me com os móveis antigos daquele castelo sendo lustrados pelos empregados; estes, por pouco me conhecerem, olhavam-me horrorizados, como se eu fosse alguma espécie de monstro por conta de alguma história, provavelmente, que minha tia contara, na qual falava que se ela era ruim, eu era muito pior. Eu sentia pena daqueles mal-afortunados, que deveriam sofrer com os terrorismos constantes de minha tia, já que eu não conseguia imaginar Helga tratando uma pessoa mal – a não ser que ela fosse duas-caras, o que era quase impossível.
Quando cheguei à sala-de-refeições, o café-da-manhã estava sendo posto e a minha companhia deixou-me um pouco – reformulemos: muito – frustrado. E antes fosse minha tia; teria preferido muito mais. A pessoa, com cara de poucos amigos, solicitava à empregada que lhe servisse com frutas e um copo de suco de maçã – provavelmente, alguma moda concentrada de minha tia, que costuma dizer que isso não deixa de ser natural. E se já não bastasse o incômodo, ele – sim, ele – me olha com cara de poucos amigos e diz-me, enquanto puxo a cadeira do outro lado da mesa, de mau humor, em uma tentativa de tirar-me do sério:
— Edward, mon frère! Dites bonjour à votre cher frère.
No.
Pourquoi pas?
____________________________________________________
TRADUÇÃO (livre):
“Edward, meu irmão! Diga bom dia ao seu querido irmão.”
“Não”
“Por que não?”
____________________________________________________
— Pare de ser imprestável e tentar passar-se por coitado, Demetri!
— Eu só queria provocar-te.
Logicamente e facilmente, Demetri conseguia tal feito. Ele desaparecia de casa por mais de um mês sem dar um sinal de vida e achava que tudo seria as mil maravilhas. Não da minha parte; não da parte da minha tia: nós fazíamos questão de tornar a vida dele um inferno apenas para ver se ele corria daquele lugar ou não. E quando era dessa forma, nós sabíamos muito bem o motivo do retorno dele: o fato de o mesmo ter perdido muito dinheiro no jogo e não ter acesso à herança de nossos pais enquanto ele não arranjasse um emprego decente voltado à área dele. SIM! Demetri tem profissão, aquele imprestável que só nasceu para ser um estorvo na minha vida; terrorista de meia tigela!
Sabe aquela história de que irmãos gêmeos preveem quando um está passando dificuldade ou está magoado! Por sermos irmãos gêmeos – mas não semelhantes, por favor, ou eu teria pesadelos ainda mais constantes –, eu conseguia ver quando ele estava mentindo ou passando por dificuldade. E daquela vez, ainda que me torrasse a paciência, eu sabia o que ele queria e era uma coisa honesta, ao menos uma vez na vida.
— Fale o que você quer, terrorista — disse-lhe eu, apoiando o cotovelo, de um modo preocupado, sem preocupar-me com a etiqueta enquanto a empregada, que estava ali sempre aquele horário para me servir, colocava em minha xícara um pouco de café quente, sabendo que aquilo me deixaria bem atento por algumas horas, ao menos (ou seja, até o momento que eu fosse direcionado ao jatinho de minha família, que, com alguma sorte, não estaria com o banheiro vomitado).
— Você sabe que eu preciso de dinheiro.
— Logicamente.
— Mas eu quero fazer isso de uma maneira honesta.
Quando um homem procura dinheiro instantaneamente, só tem três razões: 1) ele está envolvido com agiotas (o que não era a cara do meu irmão ainda que ele mexesse constantemente com jogos); 2) ele está se envolvendo com uma mulher, mas é fraco demais para conversar sobre o assunto, com medo de ser irritado sobre o assunto; ou 3) tem alguma herança envolvida na história, como era o caso do meu irmão. Como eu conhecia muito bem Demetri, como a palma da minha mão, eu não precisava falar que o assunto em questão era mulher e herança, ou seja, razões número 2 e 3 estavam em jogo naquele momento.
— Então você quer um emprego — eu disse, revirando os olhos.
— É… Não que isso seja a coisa mais natural partindo de mim, mas…
— Mas tem mulher na história e você não quer falar sobre o assunto. Contudo, eu não posso te oferecer qualquer outro lugar para trabalhar senão o que eu tenho no momento e não que esse seja o melhor ambiente do mundo para se trabalhar, mas abrange a sua formação.
— Eu não quero trabalhar com Arte. Formei-me nisso para agradar nossa mãe e você sabe muito bem disso, Edward, porque ficar no meio daquele montante de pinturas no Louvre não foi a melhor das minhas experiências, ainda mais por ter que ficar no anonimato. Era detestável ter que conviver com aquelas…
Demetri tinha um sério problema de relacionamento com pessoas que não era da nossa prole. Ou seja, subtende-se automaticamente que para se conversar com ele, era necessário que a pessoa tivesse algum titulo de nobreza. Ele adotava aquilo que as pessoas chamam de amizade por afinidade, se bem essa afinidade não seja a mesma que aquela provavelmente imaginada por você, meu caro; a afinidade que falamos no momento se chama dinheiro, money, dinero, argent, geld… nomeie do jeito que bem preferir – é tudo a mesma coisa, não importando o idioma que falemos.
— É a única coisa que tenho para passar-lhe por enquanto — eu disse, sorvendo um pouco do café sem gosto, que parecia um líquido ralo, nada parecido com o que eu costumava tomar quando estava a negócios no Brasil.
— Um lugar no Parlamento também seria ótimo para mim; agradeceria de muito bom gosto.
— Apenas se você quiser um lugar como faxineiro; eu não posso indicar ninguém para trabalhar naquele lugar no cargo que você quer ainda que eu seja o Monarca desse país.
Assim que ele ouviu-me completar, pronto para revirar os olhos após tamanha era idiotice falada pelo meu próprio irmão, ele reformulou:
— Embora eu saiba que as coisas não funcionem desse jeito.
— O cargo é bom; você sabe que eu poderia jogar xadrez com o dono do local e fazer você ficar com o emprego de um faxineiro, se eu quisesse, já que nesse sentido eu consigo facilmente o que quero.
Ele fez uma careta. Foi a primeira vez que eu não soube identificar se era por nojo do cargo que eu falei-o por último ou se não queria se sentir inferior, tal qual certos plebeus. Mas quem manda torrar a ***** do dinheiro que ele tinha guardado para si em momentos de necessidade?
Ok, eu não generalizarei: dependendo da mulher, poderia o dinheiro ser uma necessidade ou não para o meu irmão. E ele tinha certa sina para encontrar vagabundas até mesmo em meio às nobres. O apelido dele, até, virou dedo podre dentro e fora da mídia. Entretanto, eu só achava engraçado um fato: eu jamais vira uma foto da sujeita e, tampouco, fomos apresentados um ao outro. Talvez meu irmão quisesse poupar-me do desgosto, já que ele não sabia escolher uma boa companheira para si.
— Você vem comigo para Londres hoje — disse-lhe.
— Não é porque você é meu irmão que tem que se sentir no dever de mandar em mim — ele retrucou.
Eu, que já não estava no melhor dos humores, bravejei:
— Não estarei para sempre do seu lado para arrumar as burradas da sua vida! Se não fossem seus jogos de azar, você poderia estar em Madagascar com a sua vadia agora. Eu não me importaria; mas, infelizmente, eu sou o seu porto seguro, porque tenho dinheiro, enquanto você sequer lutou uma vez na vida para conseguir o que queria por ser um desgraçado mimado.
Definitivamente, discussões no inicio da manhã arruinavam meu dia. E eu não me importei em levantar irritado da cadeira sem deixar, antes, o guardanapo sobre as frutas queridas de meu irmão, pois assim ele também ficaria irritado. Eu simplesmente sabia; não precisava voltar meu olhar para aquele sujeito desgraçado para saber que ele estava mais velho que um tomate maduro.
Logicamente, Helga sempre estava de ouvidos atentos a tudo que acontecia naquele lugar e certamente previa que eu brigaria com ela pelo simples fato de a mesma ter permitido a entrada daquele sujeito no castelo. Não faria nada disso com a pobre coitada – ela não merecia.
— Senhor — a mulher começou a dizer, subindo as escadarias, seguindo-me até o escritório —, eu tentei evitar…
— Isso não me importa mais, Helga.
— Tudo bem, senhor. Eu quero saber se posso pedir para trazerem as malas para o andar inferior.
— Diga para colocarem no porta-malas do Sedan 9-5 e já diga para o motorista estar a postos. Já estou descendo novamente.
— O Saab preto ou prateado?
Era verdade: ela não entendia nada de carros. Os Saab eram os carros de minha preferência, ainda que fossem caros, porque eles eram ainda mais discretos que a BMW e a Mercedes, que só usava em eventos oficiais. Como não era exatamente o caso, os Saab eram a minha melhor opção; e eu optava pelo carro de cor prata nesses casos, o meu 9-5, já que o preto era um SportCombi e seu modelo era 9-3, chamando muita atenção nas ruas.
— O carro prata.
— Tudo bem, senhor.
Essa foi à frase que nos separou. Assim que entrei no escritório, ela se virou e seguiu em direção ao meu quarto para pegar as malas que a mesma havia preparado para a minha viagem e eu tinha certeza que dali ela chamaria, pelo interfone, para qualquer outro cômodo atrás de empregados para que a ajudassem a descer com as malas pesadas. Ela sabia bem que quando eu entrava naquele escritório, não deveria ser interrompido por nada e ninguém e que sendo dessa forma, não optava por trancar a porta.
Não que fosse um momento intimo, mas aquele era o meu local de trabalho quando não estava cuidando dos negócios do país, quando eu estava cuidando de coisas relacionadas às riquezas de família, as quais eu tinha dever de administrar. E acredite: isso era muito chato, principalmente quando a sua formação não tem nada a ver com Administração ou Contabilidade e sim, Linguística e Literatura. Tive que aprender a entender sobre o assunto; ter aquilo que os que têm sangue latino chamam de jogo de cintura para poder administrar aquelas coisas. Mas ainda assim, eu não estava naquele escritório para tratar de negócios.
Minha consciência pesou. Evidentemente, todos sabiam, naquele castelo, que eu não me fechava naquele escritório apenas para tratar de negócios. Todas as lembranças que me martirizavam estavam ali também; não apenas documentos.
As chaves em meu bolso da calça pareciam ter um maior peso quando eu entrava naquele ambiente. E eu queria que não fosse desse jeito, mas eu precisava me despedir dela, de qualquer forma.
Abri a gaveta direita de minha escrivaninha e a primeira imagem que vi foi a nossa, na viagem que fizemos para Toronto na época do inverno. Aquele foi o meu melhor e o meu pior inverno dentre todos; dois sentimentos mesclados que eram capazes de tornar-me feliz e triste ao mesmo tempo. Emmett, o irmão mais novo de Isabella, fora o fotógrafo. Os irmãos Swan reuniram-se com seus determinados casais naquela viagem: Jasper, o irmão mais velho de Isabella, estava com sua recém-noiva; Emmett estava com sua namorada recente, uma médica alergista com quem fizera Residência; e Isabella estava comigo.
E eu lembro-me exatamente o martírio que me foi deixa-la dormindo sozinha naquele quarto em Toronto sob o medo de vê-la sofrer caso fizesse uma despedida. Fui um verdadeiro desgraçado quanto isso; um covarde. Mas era necessário.
Hoje eu vejo que se não fosse à pressão que sofri após a morte de meus pais, abriria facilmente mão do trono apenas para ficar com ela. Entretanto, agora sou obrigado a me contentar com os pesadelos passados. É capaz de ela encarar que eu apenas quisesse uma aventura com ela, tal qual fizera todos os outros. Espero eu que ela saiba que isso não é a verdade; eu a amo de uma forma que nunca fui capaz de amar ninguém. Ou talvez ela encare isso como uma falta de lealdade minha com ela e não deseje nunca mais em sua vida olhar em minha cara. Mas eu venho lutado todos os dias de minha vida – Deus sabe o quanto – para que possamos ficar juntos, buscando em cada canto de Liechtenstein por uma lei permitindo nosso casamento, se assim ainda for do desejo dela – ainda que eu ache que não.
Nessas horas eu me sinto tão martirizado, tão envergonhado, que eu prefiro não continuar a olhar fotos nossas apenas para não ter que chorar devido o ódio que sinto de mim mesmo.
Coloquei a foto na gaveta a qual a mesma pertencia, trancando-a em seguida; recolhi os documentos que utilizaria nas reuniões na Inglaterra e coloquei o notebook em sua proteção devida antes de sair daquele cômodo. Foi basicamente o tempo que levei até Helga colocar as coisas junto com os empregados no Saab. O motorista, inclusive, me esperava dentro do carro e Helga, à entrada, olhava-me com um pouco de piedade; de lá, ela me disse, quando já estava dentro do carro:
— Boa viagem, senhor.
Acenei-a em retorno, simplesmente porque esperava ter uma boa viagem de carro até Altenrhein, na Suíça, já que não tínhamos infraestrutura suficiente em Liechtenstein para termos um aeroporto. É engraçado falar sobre isso, já que nós somos um país rico localizado em apenas 160 km² entre a Suíça e a Áustria e igual a esses dois, que também são riquíssimos, nós possuímos um alto índice de corrupção no que diz respeito à lavagem de dinheiro. E eu venho lutado dia-e-noite contra isso desde o início de meu governo; entretanto, na política liechtensteinense não é feita apenas de mim.
Eu não vou mentir em falar que cochilei nos quarenta minutos de viagem. Se fosse eu a pessoa a dirigir aquele Saab, ele já estaria no meio de um acidente devido o meu sono. Ao menos, naquele momento, eu consegui colocar a minha mente em ordem, mas isso era o mesmo que ter lembranças dela invadindo minha memória. Entretanto, quanto mais eu tentava afastar as memórias de Isabella da minha cabeça, mais elas insistiam em ficar junto de mim.
(∞) Flashback On (∞)
Os olhos dela costumavam analisar tudo conforme seu ponto crítico de visão. Quando ela via uma coisa fora daquilo que estava habituada, seus olhos fixavam-se sob o que quer que seja e ficava analisando. Ela era muito detalhista nesses quesitos, mas como eu já me acostumara a isso, não mais ligava a tais coisas. Eu sabia que ainda sendo o que eu era (e ela sequer desconfiava disso até então), aquela situação poderia ser um pouco incomoda; mas partindo dela e eu, já acostumado, pouco ligava.
Tive que me adaptar ao padrão de vida dela. Basicamente, tudo o que cultuei para a minha vida até então fora juntado e jogado no lixo. Então encare o fato de se eu só ande ei de carros durante a minha vida inteira; nunca soube o que era um transporte público, seja ele um ônibus ou um trem, até então, ao menos. Entretanto, com ela, eu aprendi o que era ser desajeitado a cada parada que o ônibus dava quando o mesmo estava cheio e era necessário ficar em pé ou sentar-me em um assento de plástico do trem. Mas isso não vinha ao caso.
A cabeça dela estava encostada em meu ombro direito enquanto estávamos sentados em um assento duplo do metrô nova-iorquino. A noite já começava a cair sobre a cidade e nós estávamos tirando alguns dias de folga, uma vez que ela recebera uma ótima proposta de trocar a escola para lecionar em uma Universidade em Boston e estava avaliando por uma semana. Havíamos saído do cinema, no qual havíamos assistido a um filme – nem ela nem eu lembrávamos o enredo do filme, mesmo porque acabamos dormindo no meio do mesmo.
Então ela riu.
Abaixei meu olhar rapidamente para ela, quando percebi que ela enlaçou minha mão. Aquilo era símbolo de que ela precisava me contar alguma coisa, já que ela não costumava ser uma pessoa dada a carinhos constantes. Quem não a conhecesse, diria que ela era fria, mas não: a vida, a história dela, fizera-a assim.
— Tem alguma coisa a me dizer? — perguntei-a. O sorriso gracioso, mas um pouco tímido, dela me deixava curioso, todas as raras vezes que ela existia. — Se você puder me dizer, eu agradeço.
— Pode ser amanhã? Eu estou um pouco cansada — ela respondeu, ficando em pé. — Levante-se! A nossa estação é a próxima.
Levantei-me, tal qual ela basicamente ordenou-me. Mas como disse, eu detestava transportes públicos porque eles me detestavam. Os apoios não eram meus melhores amigos também. De qualquer forma, eu saí apenas com o joelho direito um pouco machucado – talvez com um enorme hematoma roxo.
— Você é tão desastrado! Quando irá se acostumar com os transportes públicos? — ela disse, quando chegamos à estação, descendo do trem, enquanto eu enlaçava-a. — Eu ainda não entendi como eu fui parar nas mãos de um riquinho mimado como você! — ela completou balançando a cabeça rapidamente. E então ela continuou a dar uma risada gostosa de ouvir – como eu amava aquela risada.
O apartamento de Caius, que ele me emprestava sem peso algum na consciência, já que eu não tinha nenhuma residência fixa nos Estados Unidos, ficava em Upper East Side, Manhattan. Não era um apartamento que se encaixava aos meus padrões, mas a companhia que eu tinha tornava qualquer lugar, por mais horrendo que este fosse, belo. Mas Isabella considerava aquele ambiente belo, principalmente pela decoração interna.
Logo, andando calmamente enquanto conversávamos sobre o filme entediante, nós chegamos e entramos no prédio, subindo os poucos andares pelo elevador, e nesse meio tempo, eu tinha em mãos as chaves do apartamento.
Aquele não era um ambiente simples e eu já o conhecia a muito, logicamente, por ser amigo de longa data de Caius. A sala era enorme, tal qual a sala de jantar, a cozinha e os dois quartos. A decoração era simples, seguindo a linhagem branca, exceto pelo fato de uma parede ou outra destoar daquele tom e variar para o marrom; a maioria das paredes era daquela cor, assim como o carpete de madeira também o era. Entretanto, para mudar um pouco aquela expressão sem vida, havia fotos de pontos turísticos e pinturas do próprio Caius espalhados na sala e nos corredores. Eu me sentia incrivelmente bem naquele lugar, mas era pela presença que eu tinha em minha companhia.
Tão logo entrou naquele ambiente, Isabella sentou-se no sofá branco para tirar os saltos. Ela ficava pequena sem aqueles saltos, mas não era a altura que me importava e sim o caráter dela. Suas características me conquistaram de uma forma que nenhuma outra mulher me conquistara.
— Quer que eu te leve para a cama? — eu a perguntei, sugestivo. — Você está tão cansada.
— Ainda bem que você sabe disso — ela me respondeu, enlaçando o meu pescoço enquanto eu a pegava nos braços. — E não venha com esse olhar de cachorro arrependido. De mim, hoje, você não conseguirá tirar nada.
— Perdão? — eu disse jocosamente.
— Haha, Gustave Wenzel! Quem não te conhece que te compre.
O Português dela era claríssimo, inclusive no que condizia ao referir-se ao ditado no idioma, já que ela se graduara para dar aulas neste idioma. Mal sabia ela que eu a entendia perfeitamente, mas eu precisava manter minha identidade sob o anonimato, inclusive dela. Mas, de certa forma, e eu sabia ser errado, ela fizera exatamente o que o dito popular dizia: ela não me conhecia tão bem, porque eu não dava abertura necessária para isso.
Quando chegamos ao quarto e eu a dispus sobre a cama, ela reclamou. Queria fazer sua higiene bucal, tal qual eu também queria fazer a minha. Assim, ela seguiu por conta própria para o banheiro, mas assim que pegou a pasta de dentes em mãos e a abriu, empurrou-a em direção a mim com força, fazendo uma careta que eu nunca a vi fazer anteriormente.
— O que houve? — perguntei, preocupado.
— Esse cheiro me enoja. Tal qual o cheiro da manteiga da pipoca que você comeu.
Meu coração acelerou. Eu achei que teria um enfarte ali mesmo porque eu já estava pensando coisas que iam além da minha capacidade mental. Ela poderia estar gravemente doente ou grávida… Eu precisava leva-la ao médico.
— Pare de me olhar com essa cara de piedade! — ela disse, aumentando o tom de voz dela ligeiramente. — É um enjoo bobo. Eu sempre os tenho.
— Sempre os tem? E você vem me contar essa merda agora?
— Tudo bem! Agora a errada sou eu?
— Claro que é! Você acha que a saúde é uma coisa tola, um brinquedo para uma garotinha de cinco anos brincar? Lógico que não, Isabella! Gesundheit ist das höchste Gut!
— Eu sei o que eu estou fazendo, Gustave! E eu não entendi nada do que você me falou e tanto faz, de qualquer forma — ela fechou a porta em minha cara naquele instante, trancando a mesma em seguida. Aquilo me enervou ainda mais porque eu sabia que ela precisava de cuidados. — E saia de trás da porta.
Eu podia prever as ações dela naquele banheiro fechado: ou ela estava se debruçando sobre a privada ou estava engolindo remédios à base de Tartarato de Ergotamina naquele momento sem estar com prescrições médicas. Aquilo me enervava ainda mais.
— Vou ligar para o seu irmão — ameacei.
— Ligue. Ele já sabe o que eu tenho.
— Você não sabe mentir, Isabella.
— E você também não.
Era verdade: eu não sabia mentir, mas, de qualquer forma, eu já estava a ponto de pegar o celular apenas para ligar para Emmett e ouvi-lo mandar-nos o próximo voo para Massachusetts.
Entretanto, alguns minutos depois, quando minha aflição tornara-se um estado de ansiedade e eu estava sentado na cama de casal, ela abriu a porta do banheiro novamente. Estava muitíssimo pálida e apoiava-se na parede apenas para não ter que necessitar da minha ajuda, de tão orgulhosa que era, e eu sabia que se tentasse chegar perto dela para ajuda-la, levaria um tabefe em minha face; evitava, portanto, tal ação.
— Quando eu disse que não precisava de ajuda, eu estava mentindo — ela disse, confessando finalmente. — Eu sei o que eu tenho e era sobre isso que falaria com você amanhã, mas…
— Sim?
— Eu estou melhor. Só me ajude a deitar na cama. Amanhã nós falamos sobre isso.
— Certeza? Não quer voltar para Boston?
— Absoluta é a minha certeza.
Eu a guiei para o lugar que ela havia me pedido, sentindo-a com as pernas um pouco fracas. Mas assim que cobri com o edredom, percebi que ela já estava em um sono profundo, o que não era muito comum se partisse dela. Era melhor que eu verificasse a quantidade de remédios que ela havia tomado.
Não havia remédio algum, entretanto. Nada no armário de remédios, nada na bolsa de cosméticos dela e muito menos no lixo. Nem mesmo um teste de gravidez, que era impossível de esconder em qualquer canto que fosse daquele banheiro por maior que este fosse.
E naquela noite, eu não dormi, preocupado com ela, que parecia bastante incomodada enquanto dormia, balbuciando coisas que passavam longe da minha capacidade entender. Eu me sentia morrer um pouco a cada segundo que eu a via passar mal, mas eu não podia fazer nada que fosse além de olhar para ela, de tão orgulhosa que era a ponto de não me deixar leva-la ao médico. Isso me deixava com a sensação de incapacidade, mas aquele era o desejo dela. Era melhor não contradizê-la; iria optar por ela contar-me por conta própria o que se passava naquela cabeça dela. Seria melhor para ela e para mim também.
(∞) Flashback Off (∞)
Um solavanco me assustou. Parecia que eu não cochilara muito, mas me surpreendi, já que dormi viagem toda até Altenrhein. O motorista estava estacionando o carro na garagem do aeroporto quando eu acordei, após o susto, fazendo-me crer imediatamente que aquela sacudidela que senti havia ocorrido pouco depois de uma brecada. Ao longe, vi um carro se afastar e seu motorista insultar-nos, possivelmente porque buscava a mesma vaga que o meu motorista.
— Desculpe-me, Vossa Majestade, por lhe acordar — meu motorista disse-me.
— Foi bom que me acordasse ou eu teria uma sincope.
— Está tudo bem com a Vossa Majestade?
Balancei a cabeça positivamente e desta forma ele saiu do carro para abrir-me a porta traseira para que eu também pudesse sair. Rapidamente, ele já estava na parte traseira do carro para pegar as minhas malas.
Aliviado eu só consegui me sentir apenas quando me vi sentar na poltrona de meu jatinho, após passar por toda a burocracia de todas as vezes que eu precisava viajar, o que era entediante. Eu me sentia muito engraçado quando as benditas atendentes dos guichês me olhavam quando pegavam meus documentos em mãos, descobrindo minha diferença em relação aos demais passageiros que elas viam diariamente, como se isso fosse algo demais. Eu ria-me por dentro referente a essa situação.
— Guten Morgen! Gute Reise! — disse a suíça loura e alta que para mim nada tinha de atrativo; os olhos dela eram verdes e radiantes, mas era a única coisa bonita nela.
— Vielen Dank.
____________________________________________________
TRADUÇÃO (Livre):
“Bom dia! Boa viagem!”
“Muito obrigado.”
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Eu pude senti-la fuzilando-me por não dá-la muita atenção, falando, à colega de guichê que eu era um “Schwul”, ou seja, homossexual. De qualquer forma, se eu fosse, não era do interesse dela. E como eu disse anteriormente, eu só me senti totalmente bem quando me encostei à poltrona do meu jatinho. Assim, ali, eu me vi livre de julgamentos sem nexo; ali, também, me vi distante de Demetri e Sulpicia.
Mas, de alguma forma, eu estava me livrando de um montante de problemas para entrar em alguns outros, estes que eu resolveria com minha tia caçula, Renata. Ela era tão boa em dar conselhos quanto minha mãe, fosse estes relacionados aos negócios ou lições de moral. Não que ela fosse tão mais velha que eu, mas sabia utilizar as palavras nos momentos certos.
E era em momentos frustrante como esses que eu colocava as frases que Renata sempre me dizia: Ende gut, alles gut.
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TRADUÇÃO (Livre):
“Tudo está bem quando acaba bem”
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